quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Limites (Texto interessante para TODOS)

Gosto muito de levar o adulto a se colocar no lugar do bebê, pois este é um exercício valioso. Nada melhor que uma boa dose de empatia para transmitir conforto à alguém. Então, vamos lá… Imagine-se no seu primeiro dia de trabalho, em uma função que você não conhece muito bem, onde todos estão de olho em você. Se houver uma continuidade na sua rotina você vai se tranquilizar. Porém, se a cada pouco suas tarefas forem alteradas, sua mesa trocada de lugar e a pessoa que lhe orienta substituída, você provavelmente entrará em pânico. Isso que você já viveu longos anos e tem uma boa bagagem para lidar com essa situação.
Só que o bebê ainda não viveu nada disso, não conhece a si mesmo, nem conhece o ambiente, não sabe o que fazer para se acalmar e nem como acalmar sua mãe. Este desconhecimento causa um profundo sentimento de desamparo no recém-nascido e este desamparo se converte em choro e, não raras vezes, em um estado de desorganização, difícil de ser manejado. E assim,  diante de um ambiente caótico, esta catástrofe é quase uma regra.
Chorar é o único recurso do bebê. É o choro que mostra ao mundo que o bebê precisa ser atendido e uma boa conexão entre ele e a mãe trará qualidade a este entendimento e atendimento. Só que esta conexão não é mágica, ela se constrói, e para ser construída a mãe precisa de espaço.
Seguindo este raciocínio, nesta fase inicial, o limite não é para o bebê, pois ele precisa ter todas suas necessidades atendidas (ter seu desconforto atendido integra o bebê), mas para o mundo. Este limite é para as visitas, para a família, para a exposição do bebê. Ele precisa de um ambiente tranquilo e acolhedor e sua mãe precisa descansar, para ter energia para atender as suas necessidades e as do bebê (algo que, muitas vezes, torna-se impossível em muitos lares).
Vejo que muitas vezes, na ânsia de ajudar, pois é normal que ocorram muitos desacertos nessa fase inicial, as pessoas invadem o espaço da mãe e seu bebê, com mil conselhos e receitas infalíveis para amamentar, para fazer dormir, para arrotar (etc…) causando na mãe ansiedade e, muitas vezes, um sentimento de incapacidade.
Aqui, muitas vezes, começam os problemas. O bebê que mal enxerga, não fala, não tem controle do próprio corpo, tem uma ligação telepática com a mãe, percebe seu estado emocional e se baliza por este. Não é preciso serexpert para entender que se a mãe se desorganiza internamente, o bebê tende a se desorganizar também, como ato contínuo.
As mães precisam de ajuda, muita ajuda, para limpar a casa, fazer comida, dar colo, escutar, entre outros. Mas é necessário, também, que quem irá prestar essa ajuda esteja preparado para lidar com as oscilações de humor da mãe nessa fase. Nesse início, a mãe está mexida por um turbilhão hormonal e, provavelmente, atormentada por um medo avassalador de não saber o que fazer, e ela e o bebê precisam de espaço e privacidade para lidar com isto.
Traduzindo e finalizando a minha participação de hoje: as pessoas precisam ser colocadas no “seu lugar”. Ou seja: avós, tias, amigas ou quem quer que seja não são A MÃE. Elas podem, sim, dar alguns palpites, mas não devem se exceder, pois quem decide é a mãe. Lugares e papéis são a base para que os limites adequados se estabeleçam, e é isto que deverá ser feito com a criança e com o adulto, até o fim da vida, para que esse possa viver em equilíbrio e ser feliz.
Espero que minha contribuição de hoje seja útil para muitas mães que estão vivendo essa fase ou que ainda irão viver. Nos próximos meses, trarei outros assuntos relativos à psicologia e bem estar infantil e será um prazer trocar ideias com vocês, por isso, sintam-se à vontade para deixar seus comentários abaixo e sugerir novos assuntos.

FONTE [http://www.macetesdemae.com/2013/07/o-verdadeiro-e-necessario-limite.html]

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